sexta-feira, 25 de maio de 2007

Encontros saudáveis

A nossa vida é marcada por encontros e desencontros. Momentos e lembranças transformam nossos relacionamentos, com impressões que nos alimentam tanto quanto aquilo que comemos diariamente.
É fato que vivemos num período de distanciamento jamais visto e os motivos são listados aos montes para justificar nossas atitudes: a já famosa falta de tempo, o medo, as chamadas facilidades do mundo moderno e até a falta de grana.
Semanas atrás, cheguei em casa depois do trabalho e o dia ainda estava claro, minhas filhas, de 2 e 4 anos, sugeriram que fossemos a pé para a casa dos avós onde iríamos jantar, já havíamos feito esse percurso de quase 1km umas duas vezes. Adorei a idéia, trocamos então os dois minutos de carro ou três semáforos que nos separam da casa da vovozinha, por uma caminhada emocionante e percebemos quanta vida existe lá na rua.
Minhas filhas me acordavam a todo instante para cores e flores que à muito não faziam parte dos meus Outonos, pegavam gravetos e trocavam por pedrinhas e por outros gravetos maiores, sorriam e pulavam pelas calçadas com suas mochilinhas nas costas.
Parece incrível, mas fomos cumprimentados por todas as pessoas que cruzamos pelo caminho, em especial as que passeavam com seus cachorros, aliás no primeiro encontro canino, não era o dono quem levava o cão e sim um passeador profissional, que até tentou passar rapidinho, mas quando teve a atenção de alguém, mesmo que de 4 anos, diminuiu as passadas, sorriu e respondeu de boa vontade o nome do animal às minhas filhas que já estavam acariciando o Mike. Paramos também uma senhora, que nos contou que a Laika gostava tanto de criança, que outro dia havia dado as costas a ela para seguir com um garoto. Quando estávamos quase chegando ao nosso destino, uma menina de uns 20 anos corria com seu labrador e fones de ouvido, do outro lado da rua, não consegui evitar que minha filha gritasse "como ele chama" e no mesmo momento o Scotch e sua dona, já sem fones de ouvido, atravessaram a rua para que minhas filhas brincassem com o cachorro.
Depois de 50 minutos, terminamos nossa incrível jornada, com muitas histórias para contar, cheio de coisas que vimos e ouvimos, sentimos e fizemos, não podemos deixar que nos convençam de não falar com quem não conhecemos, devemos estar sempre abertos ao novo todos os dias, não se despeça de alguém a sua frente e diga um abraço, sem sequer se aproximar dele (www.freehugs.org), um brinde à todo e qualquer tipo de relacionamento saudável, tim tim saúde.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Castelo de areia

Muitos são os pensadores que afirmam que a morada da saúde é o presente, como uma dádiva mesmo, no passado somos angústia e no futuro somos pura ansiedade. O presente é o tempero entre o calor e o frio, a harmonia entre a luz e a escuridão.A melhor expressão de ser presente é sem dúvida a criança, nós adultos sofremos e buscamos várias orientações para encontrar este estado de espírito, estar, ou mais que isso, ser presente.Cada vez mais tenho observado na prática, inicialmente no consultório e agora também como pai, esta capacidade infantil, por mais que nós adultos tentemos endurecer a criança com horários, compromissos, atividades que mostrem responsabilidade ou organização, coisas que temos dificuldade em cumprir, a criança nos mostra com criatividade e alegria que o que importa é agora, no máximo hoje, criança pequena não consegue lidar com ontem ou amanhã.
Semana passada tive o privilégio de passar 7 dias juntinho da minha esposa e nossas duas filhas, a tão esperada e planejada semana de férias. Depois de mil planos, o destino escolhido foi a praia, e como se fosse mágica tudo aquilo que vínhamos arquitetando a tempos, desmoronou quando pisamos na areia, simplesmente nos deixamos conduzir pelas crianças.
Muitos castelos de areia foram erguidos e todos eles levados pelas ondas, eu pensava no melhor lugar, a areia ideal, numa base mais larga para dar estabilidade aos tais castelos... e minhas filhas já estavam esperando a espuminha das ondas, então eu entrava no mar, e elas queriam catar conchinhas pela areia, cada pedra, folha ou concha encontrada era sempre a mais bela, a maior, a da vez, a presente.
Toda vez que estamos preocupados, com a testa franzida, enrigecidos pela vida, procuramos relaxar, diminuir o ritmo, sorrir e voltar a ser criança em busca de saúde. Ora, por que então estamos amadurecendo nossas crianças cada vez mais cedo, queremos deixá-las mais rígidas ou doentes?