É fato que vivemos num período de distanciamento jamais visto e os motivos são listados aos montes para justificar nossas atitudes: a já famosa falta de tempo, o medo, as chamadas facilidades do mundo moderno e até a falta de grana.
Semanas atrás, cheguei em casa depois do trabalho e o dia ainda estava claro, minhas filhas, de 2 e 4 anos, sugeriram que fossemos a pé para a casa dos avós onde iríamos jantar, já havíamos feito esse percurso de quase 1km umas duas vezes. Adorei a idéia, trocamos então os dois minutos de carro ou três semáforos que nos separam da casa da vovozinha, por uma caminhada emocionante e percebemos quanta vida existe lá na rua.
Minhas filhas me acordavam a todo instante para cores e flores que à muito não faziam parte dos meus Outonos, pegavam gravetos e trocavam por pedrinhas e por outros gravetos maiores, sorriam e pulavam pelas calçadas com suas mochilinhas nas costas.
Parece incrível, mas fomos cumprimentados por todas as pessoas que cruzamos pelo caminho, em especial as que passeavam com seus cachorros, aliás no primeiro encontro canino, não era o dono quem levava o cão e sim um passeador profissional, que até tentou passar rapidinho, mas quando teve a atenção de alguém, mesmo que de 4 anos, diminuiu as passadas, sorriu e respondeu de boa vontade o nome do animal às minhas filhas que já estavam acariciando o Mike. Paramos também uma senhora, que nos contou que a Laika gostava tanto de criança, que outro dia havia dado as costas a ela para seguir com um garoto. Quando estávamos quase chegando ao nosso destino, uma menina de uns 20 anos corria com seu labrador e fones de ouvido, do outro lado da rua, não consegui evitar que minha filha gritasse "como ele chama" e no mesmo momento o Scotch e sua dona, já sem fones de ouvido, atravessaram a rua para que minhas filhas brincassem com o cachorro.
Depois de 50 minutos, terminamos nossa incrível jornada, com muitas histórias para contar, cheio de coisas que vimos e ouvimos, sentimos e fizemos, não podemos deixar que nos convençam de não falar com quem não conhecemos, devemos estar sempre abertos ao novo todos os dias, não se despeça de alguém a sua frente e diga um abraço, sem sequer se aproximar dele (www.freehugs.org), um brinde à todo e qualquer tipo de relacionamento saudável, tim tim saúde.