quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Semana Interdisciplinar na Universidade de Santo Amaro

Há muito se fala em atendimento multidisciplinar na área de saúde, também se usa o termo interdisciplinar, o qual eu confesso tenho maior simpatia. Sempre acreditei que devemos caminhar nessa direção, e essa tem sido minha estrela guia desde os tempos de universidade. Embora haja um grande esforço dentro da área de saúde para que essa visão seja implantada, temos ainda um longo caminho até podermos afirmar que já praticamos esse ideal no nosso dia-a-dia. Algumas vezes temos dificuldade dentro da própria área odontológica nas diversas especialidades, outras vejo muita facilidade em trabalhar com profissionais de saúde, como fonoaudiologia, fisioterapia e psicologia. Tive vivências muito positivas na Associação Comunitária Monte Azul (http://www.monteazul.org.br/), onde trabalhei por 5 anos como dentista e também com aleitamento materno, área que me proporcionou essa troca com outros profissionais. Já estou há mais de 4 anos no Instituto Apóstolo Paulo como dentista e esse ano acumulei a função de Coordenador de saúde e por isso tenho tido contato bastante próximo com outros profissionais não dentistas.
Nessa instituição tenho passado por uma experiência bem rica que é compartilhar conhecimento com educadores, com uma visão bastante ampla e que muito contribui para o tratamento de nossos pacientes. Acabo de ministrar uma palestra na Universidade de Santo Amaro, escola em que me graduei, numa semana interdisciplinar de Pedagogia, Psicologia, Turismo e Cursos Sequenciais, fiquei muito motivado pelo convite e com a possibilidade de contribuir para essa aproximação de áreas como saúde e educação, percebi que esse é um dos objetivos da jornada e espero ter colocado uma semente no coração de alguns educadores para num futuro próximo, caminharmos juntos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Casa de Saúde

Não creio que saúde combine com hospitais, nós só recorremos à estes justamente na presença de doenças, não quero questionar nenhum dos protocolos hospitalares que cada vez são mais eficientes no combate às patologias, quero mais uma vez apontar em direção da busca pela saúde.
Sábado passado, tive mais uma oportunidade de voltar como palestrante a um jardim Waldorf, entre Agosto e Outubro foram 4 encontros extremamente ricos, como palestrante e também como pai de duas meninas que desfrutam dessa pedagogia. Nas três escolas em que passei, me marcou o empenho das educadoras em mostrar aos pais a importância dos ritmos no desenvolvimento saudável das crianças. Nos Jardins Waldorf procura-se fazer uma extensão do lar onde as crianças presenciam e participam de atividades comuns às suas casas. Essas atividades têm como objetivo principal despertar nas crianças o interesse pelo mundo em que vivem, desenvolvendo sua individualidade e suas capacidades, afim de compreender e cuidar do meio ambiente.
A educação do primeiro setênio tem os olhos voltados ao desenvolvimento do corpo físico, quando este se forma saudável o ser humano está preparado para todo o aprendizado futuro que lhe será apresentado. A criança aprende pela imitação das pessoas e das atitudes ao seu redor, daí a importância da ambientação das salas e principalmente de nossas casas, a chance da criança se estruturar é bem maior se for num ambiente organizado, o caos contribuirá e muito para a desestruturação da criança, nossas atitudes também terão grande importância nesse processo de imitaçào, muito mais que nossas palavras.
Já mencionei anteriormente a importância do ritmo para a saúde e esta para o desenvolvimento, ou seja, o aprendizado. Todo o organismo, assim como o Universo pulsa em ritmos de maneira harmônica, isto é observado e praticado nas escolas Waldorf, que na minha visão são as verdadeiras casas de saúde.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Será que podemos comemorar ?




Acabo de ligar meu computador e a primeira notícia que me salta os olhos na página inicial do UOL é sobre o aumento da licença-maternidade de 120 para 180 dias, isso mesmo 6 meses, coerente não é mesmo, se o governo entende e apoia e incentiva, que leite materno é excencial nos primeiros 6 meses de vida, cheia de razão essa decisão unânime do nosso senado federal.
A CDH (Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa ) do Senado aprovou nesta Quinta-feira o Programa Empresa Cidadã. A decisão é válida para trabalhadoras de empresas privadas que aderirem ao projeto. A adesão é facultativa, tanto para a empresa quanto para a trabalhadora. O projeto é de autoria da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), prevê que esses dois meses de salário adicionais, sejam pagos pelas empresas e não pela Previdência Social. O empregador, por sua vez, terá isenção total do Imposto de Renda do valor pago às trabalhadoras nos dois meses a mais de licença. Dentre as cinco emendas ao texto inicial aprovadas, uma inclui entre as beneficiária as trabalhadoras que são mães adotantes.
Eu sei que ainda precisa passar pelos deputados federais e só aí ser sancionada lei pelo Presidente, mas confesso que me animo e principalmente renovo minha confiança no trabalho acima de qualquer coisa, pelo menos no nosso trabalho, de profissionais de saúde que acreditam que fazer saúde tem tudo à ver com amamentação, comemoremos sim.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Partidas e Chegadas, oportunidades de recomeçar


Fim de semana me lembrei, de uma tirinha de jornal assinada pelo ótimo Maurício de Souza, em sua Turma do Penadinho, que mostrava no início pessoas tristes em um funeral e no final outras(digo outras pois não sei bem ao certo se eram pessoas ou espíritos) alegres pois estavam recebendo alguém desse outro lado. Na época recortei, e tenho isso guardado sabe-se lá onde, pois tinha uma alusão clara à morte, tratada de maneira leve e talvez até tentando trazer conforto à quem se encontrava como no início da tirinha. Deixe-me dizer logo que não perdi ninguém recentemente, na verdade minha experiência se deu no aeroporto de Congonhas, lá no desmbarque enquanto esperava minha mãe que voltava da casa do meu irmão em Uberlândia. Como ela demorou para sair, pude observar algumas pessoas que passavam por aquela porta automática, via de regra a grande maioria chegava com um sorriso estampado no rosto e também era recebida com a mesma alegria incontida por algum parente ou amigo próximo, claro que tinha aqueles das plaquinhas, empresa tal e hotel sei lá o que, em pleno sábado cedinho...
Me chamou muito a atenção uma figura de quase 2 metros e calção amarelo, que não parava quieto cada vez que se abria aquela porta, de repente entendi o motivo de tamanha ansiedade, ele se ajoelhou e percebi que dali sairiam justificativas de sobra para aquela agitação, correram aos seus braços dois filhos e logo atrás a esposa. Fiquei observando o tamanho dos sorrisos, das bagagens e tentando imaginar quanto tempo separava cada encontro daquele, no meu caso só uma semana e já tinha uma pontinha de saudade, com certeza ali tinham pessoas que não se viam há muito. Para cada novo encontro, uma nova oportunidade, uma outra chance de mudar o que nos incomoda ou mesmo manter o que já conquistamos, o esforço deve ser diário e sempre temos a opção de recomeçar.
Logo então, imaginei o outro lado do aeroporto, no saguão de embarque, lágrimas rolam algumas vezes por um período que será breve , outras sem nem sequer data de retorno, só não podemos esquecer que de qualquer forma do outro lado haverá um desembarque, alguém esperando, mesmo que seja um desconhecido com a plaquinha na mão.