terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dia mundial sem carro


E o congestionamento chegou ao céu de São Paulo
por Carolina Juliano no UOL
Em meados de 2004, Roberto Yugi, de 38 anos, levava a metade do tempo do que leva hoje para ir de Carapicuíba, na Grande São Paulo, até o Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista. A implantação de novas vias, mudanças de mãos de direção e alterações na legislação de tráfego acrescentaram desvios em seu caminho, que além de mais lento ficou também mais comprido.
Nada disso seria novidade não fosse o fato de Roberto Yugi ser piloto. E de seu meio de transporte ser um helicóptero. Quando digita em seu palmtop - munido de um software moderníssimo de navegação - as coordenadas do Helipark, em Carapicuíba, e de Congonhas, o aparelho revela uma triste realidade: o trânsito chegou aos céus de São Paulo. "Em linha reta e com o céu livre, levaria seis minutos de vôo, mas desde 2004, com a implantação do espaço aéreo controlado para helicópteros, das rotas obrigatórias de vôo e, principalmente, ao aumento da frota, levamos cerca de 12 minutos. Ou seja, o dobro."Para quem amarga horas e mais horas no trânsito de São Paulo, reclamar por gastar 12 minutos para percorrer uma distância de aproximadamente 19 quilômetros soa como um mero capricho. Mas para empresários que investem reais e mais reais para sustentar suas aeronaves e pilotos significa prejuízo. "Para essa gente que gasta milhares com um helicóptero exatamente para não perder tempo no trânsito, levar o dobro de tempo no ar está longe de ser um capricho", diz Yugi, que é piloto de um empresário e voa há 11 anos.Já há alguns anos que o helicóptero vem sendo procurado pelos mais abonados como uma alternativa para driblar o trânsito na maior cidade do Brasil, onde se concentram as maiores e mais importantes transações financeiras do país. O Estado de São Paulo tem hoje uma frota estimada em 470 helicópteros e só na capital há 420 aeronaves registradas. Há, na capital paulista, 260 helipontos e pelo menos seis grandes heliportos. Até 2010, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) estima que a cidade ganhe mais 80 aeronaves, o que significa um crescimento de 17% da frota.
O aumento quase exponencial do número de aeronaves fez com que São Paulo se tornasse a única cidade do planeta Terra que possui um controlador de vôos de helicópteros. O Serviço de Controle de Tráfego Aéreo para Helicópteros foi criado pelo o SRPV-SP (Serviço Regional de Proteção ao Vôo de São Paulo), órgão ligado à Aeronáutica, em 2004, e mantém permanentemente um controlador de vôos exclusivo para monitorar helicópteros na torre do Aeroporto de Congonhas. "Não só a frota cresceu, mas também o número de edifícios com helipontos na região da rampa de aterrissagem dos aviões", explica o consultor da Aeronáutica Carlos Heredia. "A falta de planejamento dos empreendimentos imobiliários trouxe para perto de Congonhas um risco muito grande e fomos obrigados a controlar isso. "O SRPV criou, então, uma área que abrange o centro expandido da capital - aproximadamente 10 quilômetros de diâmetro - e, dentro da qual, toda aeronave precisa se identificar ao entrar e seguir as coordenadas passadas pelo controlador da torre de Congonhas. Além disso, foram criadas mãos de direção no espaço aéreo, que os pilotos têm que respeitar. "Nem sempre os pilotos respeitam as coordenadas", diz o controlador Cláudio Vieira Lopes, que há 3 anos trabalha na função. "Quando eles nos chamam para informar a sua localização e pedir autorização para cruzar o quadrante central - que é bem a rampa de descida dos aviões -, olhamos no satélite e eles às vezes já avançaram mais do que deveriam. Mas, no geral, tem funcionado bem. "Em 2003, antes da implantação do controle do tráfego de helicópteros, o SRPV registrou 79 situações de risco envolvendo helicópteros e aviões que pousam em Congonhas. Em 2007, esse número caiu para apenas três, e até março de 2008 foi registrado só um incidente. "A orientação dos helicópteros é muito visual, entre eles é possível se orientar assim, mas um avião não tem contato visual e voa a uma velocidade muito maior, o que poderia causar uma série de acidentes", explica Heredia.Lopes diz que chegam a voar cerca de 20 helicópteros simultaneamente somente ali, na área controlada. "Mas limitamos a seis porque mais do que isso é impossível controlar ao mesmo tempo. Quando o piloto ingressa na área e dá a sua localização, muitas vezes temos que mandá-lo aguardar para cruzar um ou outro quadrante o que, certamente, atrasa um pouco alguns vôos.""Claro que há casos de proprietários de helicópteros que autorizam seus pilotos a cruzar o espaço aéreo à revelia das orientações do controle de vôo, e casos de pilotos que fazem isso porque disso depende o emprego deles", diz o piloto Roberto Yugi. "O bom senso do piloto pesa nessas horas e nos últimos anos temos que conviver cada vez mais com esse tipo de situação porque o tráfego de helicópteros realmente aumentou. Há congestionamento no céu de São Paulo. "Em número de aeronaves, São Paulo ainda está atrás da frota de Nova York. Mas lá, a maior parte dos helicópteros é de propriedade de provedores de serviços. Em São Paulo, o crescimento registrado é de helicópteros de propriedade de indivíduos.A possibilidade de poder pagar menos para dispor dos serviços de um helicóptero contribuiu para que o céu de São Paulo ficasse engarrafado. No ano 2000, São Paulo passou a dispor de programas de propriedade compartilhada de helicópteros. Por meio de empresas como a Helisolutions, o cliente compra uma fração que corresponde a 10% de uma aeronave e tem direito a dez horas de vôos por mês. O proprietário tem ainda que pagar mensalmente uma despesa fixa correspondente a hangaragem, seguro, tripulação, documentação e administração do seu helicóptero. Mas a vantagem deste sistema, além de ser mais barato do que comprar uma aeronave, é que o cliente não precisa se preocupar com a manutenção do aparelho. Para usar o helicóptero, basta que ele telefone para uma central de logística e informe horário e local onde deseja ser apanhado pelo piloto.Somente a Helisolutions tem cerca de 200 clientes que utilizam o transporte de helicóptero principalmente para se locomover dentro da cidade de São Paulo. Em um levantamento interno realizado pelo departamento de relações públicas da empresa com os clientes, quase todos apontaram o trânsito de São Paulo como um dos principais fatores para terem recorrido ao programa de propriedade compartilhada. Ainda que seja mais em conta comprar uma cota em vez de uma aeronave, o negócio está ainda longe de ser acessível. Para se ter uma idéia, para adquirir uma cota de um Robinson com capacidade para três passageiros e um piloto (a menor das aeronaves disponibilizadas pela Helisolutions) o interessado terá que desembolsar US$ 62.960,00 de cara e depois mais R$ 4.515,00 por mês, que podem ser acrescidos de uma taxa variável de R$ 643,76. A utilização de um helicóptero maior e mais potente, como os da família Esquilo, custa bem mais do que isso. O cliente paga US$ 298.750,00 pela cota e depois uma taxa mensal fixa de R$ 10.445,00, com taxa variável que pode chegar a R$ 1.481,75. Segundo dados da Abraphe (Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero), o número de aeronaves no Brasil e em São Paulo só vem crescendo nos últimos 10 anos e a tendência é continuar a crescer. Em, 1996, havia 547 helicópteros registrados no Brasil. Em 2007, este número quase que dobrou e já há 1043. "É visível o congestionamento", diz Roberto Yugi. "E até por isso é indispensável que os pilotos se atualizem sempre, com as novas tecnologias das aeronaves. Hoje é imprescindível, por exemplo, que voemos com o transponder ligado para detectar outros helicópteros por perto.""Sabemos que a tendência é piorar, assim como o trânsito da capital, e por isso o espaço controlado está em permanente adaptação", diz Carlos Heredia. "Além da preocupação que devemos ter com os aviões, também nos preocupamos com a população, que sofre com o barulho dos helicópteros. Por um lado, é preciso que os helicópteros voem mais baixo para não entrarem na rota dos aviões, mas por outro não podemos descer muito porque fazem barulho. "Este problema já provocou, inclusive, a alteração em uma das rotas de vôo da capital, que passava sobre o bairro da Lapa. Ela foi deslocada para desviar de uma área estritamente residencial. A Prefeitura de São Paulo também já se preocupa com o congestionamento nos céus de São Paulo. No ano passado, o poder municipal divulgou que dos cerca de 260 helipontos que a cidade possui, só tinha o conhecimento da existência de 80. Ou seja, 170 estariam, pelas regras do município, clandestinos.Para tentar resolver o caso, a Prefeitura decidiu elaborar algumas normas para o funcionamento dos helipontos que devem ser divulgadas em julho. "Como vê, o congestionamento causado pelos helicópteros é um problema complexo e ainda de difícil solução", diz Heredia.
Depois dessas informações SãoPaulo deve iniciar um novo movimento muito em breve, o Dia sem Helicóptero.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Saúde é básico

Interessante como temos tecnologia para produzirmos melancias quadradas (como estas aqui em baixo), com a justificativa de que são mais fáceis de serem armazenadas, mas por outro lado não temos nem sequer água tratada e esgoto em algumas partes do planeta, veja a seguir os dados divulgados do Pnad (Pesquisa Nacional po Amostra de Domicílio, do IBGE).
Brasileiros ainda enfrentam doenças por falta de água e rede de esgoto deficitária.
Se a maior parte dos brasileiros tem acesso a água encanada e coleta de esgoto em casa, moradores de 9,2 milhões de residências ainda dependem de poços, nascentes, carros-pipa ou da chuva para beber, cozinhar e tomar banho. Já cerca de 2,2 milhões de casas não contam com nenhum tipo de escoamento para o esgoto. Segundo dados da Pnad, a rede de abastecimento de água cresceu 0,7% entre 2007 e 2008, atendendo cerca de 1,8 milhão de casas a mais no período. A rede cresceu mais no Nordeste, onde hoje 78% das residências têm água. A rede é menor no Norte, onde só 58,3% das casas têm água encanada, de acordo com dados da pesquisa. É na região que se encontram os três Estados com as redes mais precárias: Rondônia, Pará e Acre - que atendem 42,3%, 49,1% e 56,8% das casas, respectivamente. "O problema da falta de água ou da intermitência no fornecimento é que ela leva a população a procurar alternativas que podem não ter os mesmos parâmetros de potabilidade da rede oficial", explica Wanderley Paganini, professor doutor do departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da USP. "Água potável é a diferença entre a vida e a morte".Paganini afirma que, no Brasil, 60% das internações de crianças de zero a 10 anos são causadas pela falta de água potável ou de esgotamento sanitário. Os jovens chegam aos hospitais com diarréia, disenteria, vermes, tifo e hepatite. Se a combinação de chuva, esgoto e ratos estiver presente, há o risco grande de contrair leptospirose.
Os números da coleta de esgoto são mais desanimadores. O IBGE chama de "outro" o esgotamento que não trata os dejetos, lançando-os para fossas rudimentares, valas, rios, lagos ou para o mar. Enquanto o Distrito Federal trata 96,8% do esgoto residencial, o Tocantins trata somente 32,1%. Ainda é mais que o Mato Grosso do Sul, onde somente 24% do esgoto é tratado. O Estado tem o pior índice de coleta de esgoto no país, muito abaixo do número modesto do vizinho Mato Grosso, onde a rede coletora atende 53,4% das residências.A rede de esgoto no Mato Grosso do Sul está divida entre a Sanesul, empresa que cuida das áreas urbanas do Estado, o Incra e a Funasa, que dividem o trabalho na parte rural. Na capital Campo Grande, o sistema de saneamento é privatizado e a empresa responsável pelos serviços de abastecimento e esgoto é a Águas Guariroba. De acordo com a assessoria de imprensa da Sanesul, a empresa trata hoje 15% do esgoto das áreas urbanas, número que deve pular para 35% em 2010, quando está prevista a entrega das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) nas cidades Corumbá, Dourados, Ponta Porá e Três Lagoas.Enquanto as obras não ficam prontas, a cidade de Corumbá, conhecida como a porta de entrada do Pantanal, tem somente 4% do esgoto tratado. Segundo a Sanesul, as principais dificuldades para aumentar a rede de esgoto na cidade são o terreno rochoso, que encarece as obras de instalação do encanamento, e o grande número de ligações clandestinas que despejam os dejetos das casas diretamente nas galerias pluviais - que seguem para o rio Paraguai. O contraponto no Mato Grosso do Sul é a turística cidade de Bonito, onde 100% do esgoto é tratado, afirma a empresa.A disparidade de saneamento entre as unidades da federação é tão grande que, ao contrário do Mato Grosso do Sul, o volume de esgoto residencial coletado e tratado no Estado de São Paulo chega a 94,2%. No Distrito Federal, o índice é ainda maior: 96,8%.
Não é só água sem tratamento e esgoto a céu aberto que causa doenças. A má disposição do lixo também pode causar problemas de saúde. O acúmulo de resíduos sólidos junta ratos, baratas e moscas, que são vetores de bactérias.Segundo o IBGE, a coleta de lixo cresceu 0,6 ponto porcentual de 2007 para 2008 e hoje atende a mais de 50 milhões de domicílios. Dados da Pnad mostram que as regiões Nordeste e Sudeste deram as maiores contribuições em números absolutos, com 641 mil e 690 mil casas, respectivamente, passando a fazer parte da rede de coleta de lixo.Em porcentagem, o Sudeste lidera na coleta dos resíduos domiciliares: 95,3% é recolhido, contra 4,7% que são queimados ou enterrados em propriedades, jogados em terreno baldio, nas ruas, rios, lagos ou mesmo no mar. A pior situação está no Nordeste, onde 24,6% - quase um quarto de todo o lixo produzido - não tem destino correto. A evolução dos serviços de coleta é essencial. Mas o problema do lixo não acaba no caminhão, mas sim nos aterros sanitários."O lixo tem que ser encarado de três maneiras: uma é forma como ele é separado e embalado dentro de casa. Outra é a coleta pelo poder público. Mas o mais importante é para onde vai esse lixo e como vai ser disposto na natureza", diz Wanderley Paganini, da Faculdade de Saúde Pública da USP."A disposição correta dos sacos de lixo protege a população das doenças. E a disposição protege o meio ambiente", completa o professor.
Embora os números mostrem uma melhora, fica claro que temos que trabalhar bastante para atingirmos o mínimo de saúde para todo mundo.