sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Auto de Natal


Chegamos mais uma vez ao final do ano, esta época do advento sempre vem acompanhada de muitos acontecimentos nas escolas, empresas e nas festas familiares, todo ano a mesma euforia que vai nos tirando o fôlego lentamente até o finalzinho de Dezembro, quando renascemos para o ano novo.
Desde pequeno tenho ótimas lembranças desse período, família reunida cada ano em uma casa, deliciosas comidas e sobremesas, muitos presentes e sempre me recordo da porta da sala onde eram colados os cartões de natal que recebíamos e a cada ano queríamos superar quantitativamente os outros natais.
Não quero cometer uma injustiça, mas realmente não tenho nenhuma grande lembrança de presépio na minha infância, nesta época eu esperava ansioso pelas férias de verão, horários menos rígidos, mais tempo para brincar, futebol na rua, tudo muito simples comparado aos dias de hoje. Claro que muito dessa simplicidade estava na minha cabeça que não tinha grandes preocupações além de tirar média 5 no final do ano, tinha pais muito presentes e dois irmãos mais velhos que muito me ensinaram, realmente escolhi muito bem onde queria nascer.
Atualmente, me contagio mais por essa correria do final de ano, no consultório o movimento aumenta muito, todo mundo quer arrumar o sorriso para o natal e as férias que se aproximam, aproveitam um dinheirinho a mais do décimo terceiro salário para regularizar o que ficou pendente durante o ano, as ruas estão sempre entupidas. Esse ano montamos um presépio bem especial onde minhas filhas se envolveram em todos os detalhes e esperam ansiosas a chegada do personagem principal.
O que queria registrar aqui é o auto de natal que minhas filhas encenaram na escola, como pai fiquei sem palavras ao velas juntas de seus amigos de sala representando o nascimento do menino jesus, quanta seriedade permeada pela pureza de seus corações, um momento mágico que me alimenta e impulsiona para encarar o dia-a-dia em busca de saúde e ritmo.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Contando Histórias e fazendo saúde




Ontém conheci a Associação Viva e Deixe Viver (http://www.vivaedeixeviver.org.br/), num café da manhã muito bem organizado e num ambiente extremamente alto astral, já tinha ouvido falar do trabalho e quando minha esposa me passou um convite que recebeu, não tive dúvida em conhecer um pouco mais do projeto. Durante toda a apresentação me marcou muito a seriedade e o empenho com que as pessoas falavam do Viva. No mês passado escrevi aqui sobre casa de saúde e me referi aos hospitais, dizendo que a saúde não combinava com estes centros de atendimento , na grande maioria das vezes vamos aos hospitais para tratar a doença e faz toda a diferença o foco ser na saúde ou na doença.
O público alvo do projeto Viva é o mesmo do profissional da saúde, os pacientes internados, a enorme diferença é que os contadores de história trabalham para fortalecer a saúde e não para enfraquecer a doença, alimentam a alma do paciente internado.
O que também saltou aos meus olhos, foi o fato da iniciativa não partir de um profissional da área da saúde, mas de um publicitário, eu que acredito na saúde, ou melhor, no desenvolvimento saudável através da arte, mais uma vez pude constatar que temos muito a aprender se quisermos tirar o foco das patologias e apostar na vida.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Semana Interdisciplinar na Universidade de Santo Amaro

Há muito se fala em atendimento multidisciplinar na área de saúde, também se usa o termo interdisciplinar, o qual eu confesso tenho maior simpatia. Sempre acreditei que devemos caminhar nessa direção, e essa tem sido minha estrela guia desde os tempos de universidade. Embora haja um grande esforço dentro da área de saúde para que essa visão seja implantada, temos ainda um longo caminho até podermos afirmar que já praticamos esse ideal no nosso dia-a-dia. Algumas vezes temos dificuldade dentro da própria área odontológica nas diversas especialidades, outras vejo muita facilidade em trabalhar com profissionais de saúde, como fonoaudiologia, fisioterapia e psicologia. Tive vivências muito positivas na Associação Comunitária Monte Azul (http://www.monteazul.org.br/), onde trabalhei por 5 anos como dentista e também com aleitamento materno, área que me proporcionou essa troca com outros profissionais. Já estou há mais de 4 anos no Instituto Apóstolo Paulo como dentista e esse ano acumulei a função de Coordenador de saúde e por isso tenho tido contato bastante próximo com outros profissionais não dentistas.
Nessa instituição tenho passado por uma experiência bem rica que é compartilhar conhecimento com educadores, com uma visão bastante ampla e que muito contribui para o tratamento de nossos pacientes. Acabo de ministrar uma palestra na Universidade de Santo Amaro, escola em que me graduei, numa semana interdisciplinar de Pedagogia, Psicologia, Turismo e Cursos Sequenciais, fiquei muito motivado pelo convite e com a possibilidade de contribuir para essa aproximação de áreas como saúde e educação, percebi que esse é um dos objetivos da jornada e espero ter colocado uma semente no coração de alguns educadores para num futuro próximo, caminharmos juntos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Casa de Saúde

Não creio que saúde combine com hospitais, nós só recorremos à estes justamente na presença de doenças, não quero questionar nenhum dos protocolos hospitalares que cada vez são mais eficientes no combate às patologias, quero mais uma vez apontar em direção da busca pela saúde.
Sábado passado, tive mais uma oportunidade de voltar como palestrante a um jardim Waldorf, entre Agosto e Outubro foram 4 encontros extremamente ricos, como palestrante e também como pai de duas meninas que desfrutam dessa pedagogia. Nas três escolas em que passei, me marcou o empenho das educadoras em mostrar aos pais a importância dos ritmos no desenvolvimento saudável das crianças. Nos Jardins Waldorf procura-se fazer uma extensão do lar onde as crianças presenciam e participam de atividades comuns às suas casas. Essas atividades têm como objetivo principal despertar nas crianças o interesse pelo mundo em que vivem, desenvolvendo sua individualidade e suas capacidades, afim de compreender e cuidar do meio ambiente.
A educação do primeiro setênio tem os olhos voltados ao desenvolvimento do corpo físico, quando este se forma saudável o ser humano está preparado para todo o aprendizado futuro que lhe será apresentado. A criança aprende pela imitação das pessoas e das atitudes ao seu redor, daí a importância da ambientação das salas e principalmente de nossas casas, a chance da criança se estruturar é bem maior se for num ambiente organizado, o caos contribuirá e muito para a desestruturação da criança, nossas atitudes também terão grande importância nesse processo de imitaçào, muito mais que nossas palavras.
Já mencionei anteriormente a importância do ritmo para a saúde e esta para o desenvolvimento, ou seja, o aprendizado. Todo o organismo, assim como o Universo pulsa em ritmos de maneira harmônica, isto é observado e praticado nas escolas Waldorf, que na minha visão são as verdadeiras casas de saúde.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Será que podemos comemorar ?




Acabo de ligar meu computador e a primeira notícia que me salta os olhos na página inicial do UOL é sobre o aumento da licença-maternidade de 120 para 180 dias, isso mesmo 6 meses, coerente não é mesmo, se o governo entende e apoia e incentiva, que leite materno é excencial nos primeiros 6 meses de vida, cheia de razão essa decisão unânime do nosso senado federal.
A CDH (Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa ) do Senado aprovou nesta Quinta-feira o Programa Empresa Cidadã. A decisão é válida para trabalhadoras de empresas privadas que aderirem ao projeto. A adesão é facultativa, tanto para a empresa quanto para a trabalhadora. O projeto é de autoria da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), prevê que esses dois meses de salário adicionais, sejam pagos pelas empresas e não pela Previdência Social. O empregador, por sua vez, terá isenção total do Imposto de Renda do valor pago às trabalhadoras nos dois meses a mais de licença. Dentre as cinco emendas ao texto inicial aprovadas, uma inclui entre as beneficiária as trabalhadoras que são mães adotantes.
Eu sei que ainda precisa passar pelos deputados federais e só aí ser sancionada lei pelo Presidente, mas confesso que me animo e principalmente renovo minha confiança no trabalho acima de qualquer coisa, pelo menos no nosso trabalho, de profissionais de saúde que acreditam que fazer saúde tem tudo à ver com amamentação, comemoremos sim.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Partidas e Chegadas, oportunidades de recomeçar


Fim de semana me lembrei, de uma tirinha de jornal assinada pelo ótimo Maurício de Souza, em sua Turma do Penadinho, que mostrava no início pessoas tristes em um funeral e no final outras(digo outras pois não sei bem ao certo se eram pessoas ou espíritos) alegres pois estavam recebendo alguém desse outro lado. Na época recortei, e tenho isso guardado sabe-se lá onde, pois tinha uma alusão clara à morte, tratada de maneira leve e talvez até tentando trazer conforto à quem se encontrava como no início da tirinha. Deixe-me dizer logo que não perdi ninguém recentemente, na verdade minha experiência se deu no aeroporto de Congonhas, lá no desmbarque enquanto esperava minha mãe que voltava da casa do meu irmão em Uberlândia. Como ela demorou para sair, pude observar algumas pessoas que passavam por aquela porta automática, via de regra a grande maioria chegava com um sorriso estampado no rosto e também era recebida com a mesma alegria incontida por algum parente ou amigo próximo, claro que tinha aqueles das plaquinhas, empresa tal e hotel sei lá o que, em pleno sábado cedinho...
Me chamou muito a atenção uma figura de quase 2 metros e calção amarelo, que não parava quieto cada vez que se abria aquela porta, de repente entendi o motivo de tamanha ansiedade, ele se ajoelhou e percebi que dali sairiam justificativas de sobra para aquela agitação, correram aos seus braços dois filhos e logo atrás a esposa. Fiquei observando o tamanho dos sorrisos, das bagagens e tentando imaginar quanto tempo separava cada encontro daquele, no meu caso só uma semana e já tinha uma pontinha de saudade, com certeza ali tinham pessoas que não se viam há muito. Para cada novo encontro, uma nova oportunidade, uma outra chance de mudar o que nos incomoda ou mesmo manter o que já conquistamos, o esforço deve ser diário e sempre temos a opção de recomeçar.
Logo então, imaginei o outro lado do aeroporto, no saguão de embarque, lágrimas rolam algumas vezes por um período que será breve , outras sem nem sequer data de retorno, só não podemos esquecer que de qualquer forma do outro lado haverá um desembarque, alguém esperando, mesmo que seja um desconhecido com a plaquinha na mão.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Simples assim


No último dia 19, tive a oportunidade de compartilhar conhecimento com um pessoal super afinado, do GAMA (Grupo de Apoio a Maternidade Ativa) - http://www.maternidadeativa.com.br/ . Haviam gestantes e também alguns casais com crianças pequenas, num espaço aconchegante daqueles que nos faz sentir-se em casa.
Tudo comecou quando recebi uma indicação de paciente nova e a mãe dela me disse que tinha um trabalho com orientação de gestantes e partos domiciliares. Desde o início houve uma sintonia grande, em função do trabalho por ela apresentado e um projeto no qual participei na Associação Comunitária Monte Azul, com gestantes da região atendidas por essa instituição. No nosso segundo encontro fui convidado para fazer uma palestra para o tal grupo, adorei o convite, já tinha mil idéias na cabeça e aquele frio na barriga natural, pelo menos para mim, acho que é a tal da liberdade que não pode andar separada da responsabilidade, podemos falar desde que tenhamos responsabilidade por essas palavras.
Como sempre faço, colhi o máximo de informações sobre o trabalho do grupo, preparei algumas imagens para a palestra, meio em cima da hora(na última hora) e cheguei um pouco antes do horário(como sempre faço). Não conhecia o espaço então me preparei para algumas situações, já fiz palestra em hospitais, escolas(tanto em sala de aula quanto no pátio), Unidades Básicas de Saúde, empresas e até na rua, quando num mutirão de saúde fecharam um espaço com varal e lona preta. Realmente devemos estar abertos para novas experiências, formamos uma roda maneira que eu sempre prefiro quando o espaço e número de pessoas permite, mas aí veio o toque especial todos descalços e sentados no chão, pois ali acabara de acontecer uma aula de yoga. Jamais dei uma palestra de maneira mais confortável e extremamente simples, bebês mamando ou dormindo no colo de suas mães, alguns engatinhando, rastejando e outros em pé, tínhamos ali a oportunidade de vivenciar as fases do desenvolvimento infantil, ao vivo e à cores, uma bênção, uma atmosfera mágica, uma sincronia de sentimentos. Só posso dizer, obrigado pela oportunidade e até breve.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Aleitamento Materno, um banho de vitalidade


Este material foi publicado no ano de 2001 e já deveria ter sido revisado e atualizado, mas até hoje profissionais de saúde, pacientes e principalmente, gestantes e lactantes me pedem exemplares, que na época foram distribuídos gratuitamente nas farmácias WELEDA e agora resgatei esta versão do site Saúde em Movimento para impressão parcial ou total do conteúdo. Com a intenção de compartilhar muito mais que o conteúdo, me coloco a disposição dos interessados, para trocar informação e também ações que defendam e protejam essa prática, que depois de perder tanto espaço para o leite em pó e quase desaparecer, deu a volta por cima e virou moda entre as pessoas de bom senso.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

A gente não quer só comida

Recentemente numa reunião familiar, ouvi que as embalagens de produtos alimentícios aqui no Brasil estavam entre as mais completas do mundo, no que se refere a informações nutricionais e até mesmo data de validade. Me lembrei do livro do Dr. Otto Wolff, médico alemão com inúmeros trabalhos na medicina antroposófica , chamado "O Que Comemos Afinal?", publicado aqui no Brasil pela Editora Antroposófica, onde dentro de vários conceitos nutricionais, para mim ficou muito forte a abordagem que é feita à respeito da vitalidade dos alimentos. Surge então, uma discussão muito além das quantidades , mas principalmente qual é a qualidade dos alimentos que ingerimos, e mais, será que temos condições de medir a vitalidade de tudo que comemos. Aliás por que comemos? Precisamos da energia, não somos seres autótrofos ( capazes de produzir o próprio alimento ), não fazemos fotossíntese( síntese de moléculas orgânicas ), buscamos no alimento essa energia necessária para a manutenção do corpo. É comum dizermos que este ou aquele alimento dura mais que o outro, não significa porém que seja melhor, muito menos, mais vivo.
Tomo como exemplo o tal leite longa vida, o da caixinha, que permanece inalterado por meses nas prateleiras, apesar do nome, que vida existe ali? No último feriado estive na casa do meu irmão em Uberlândia-MG, e me deparei com uma matéria no jornal Correio de Uberlândia, do dia 9 de Junho, no suplemento Cidade, pagina B1 "Leite in natura deve ser evitado", nesta reportagem a coordenadora da Vigilância de Alimentos alertava para o fato de não sabermos a procedencia de alguns produtos distribuídos em carroças pelos bairros, havia inclusive um relato bastante curioso de um mecânico pai de 4 filhos que dizia "Só compro leite de caixinha, porque quando comprei de saquinho eles passaram mal. Imagine então esse natural".
Não quero de maneira alguma questionar as pasteurizações e outros tratamentos dados ao leite, mas se chegar a conclusão de que o leite natural faz mal a saúde é sem dúvida um exagero.
Diariamente tomamos conhecimento de alimentos que previnem isso ou aquilo, outros por sua vez são tidos como vilões ou inimigos número 1 e devem ser banidos da nossa mesa, acredito que devemos nos importar com a integridade dos alimentos, das informações, das pesquisas e claro das pessoas, bom apetite!

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Bons sonhos

Assim como na letra de Como uma Onda, de Lulu Santos e Nelson Motta, "a vida vem em ondas como um mar...",a natureza se manifesta através de ritmos, e nos esquecemos deles com frequência no nosso cotidiano, mas basta abrirmos nosso coração para nos sentirmos permeados por eles.
Temos então as estações do ano, o Outono marcado por quedas de folhas e dias mais curtos, já na Primavera, flores aparecem para colorir os nossos dias e nos preparar para os dias mais longos e quentes que se aproximam com a vinda do Verão. Os meses nos trazem referências talvez mais práticas, como salários e todas as nossas contas, estes ainda podem ser divididos em semanas, que por sua vez agrupam os dias, que obviamente ainda se fragmentam.Gostaria de falar aqui dos ritmos circadianos (com periodicidade de aproximadamente 24 horas) os mais conhecidos e estudados pela área de saúde. São eventos bioquímicos, fisiológicos e comportamentais, que ocorrem em intervalos regulares, como a secreção de diversos hormônios, a temperatura corpórea ou a alternância entre sono e vigilia. O nosso metabolismo, se dividide em atividades catabólicas e anabólicas, ou seja, durante o dia estamos catabolisando, ou queimando os neurônios como dizemos, mas precisamos de um período para reparar ou anabolisar enquanto dormimos, a clássica a observação que as crianças crescem enquanto dormem, faz todo sentido.
Saber ouvir o corpo, ou mais que isso, entender o funcionamento dessa sagrada estrutura e como ela se manifesta de forma harmônica, suas reais necessidades perante o ritmos diários, é fundamental para ser saudável.
Sabemos que uma série de doenças resultam de uma vida desregrada, o que talvez ainda não tenhamos percebido, é que mudar nossos hábitos e fortalecer esse ritmo é muito mais simples do que imaginamos. Dormir por exemplo, uma prática diária não optativa, mas obrigatória, nos fortalece, recupera e prepara para um novo dia.
Antigamente a falta de sono era vista como consequência de doenças psíquicas, hoje em dia estudos mostram que talvez ela contribua na verdade para o surgimento destas patologias.
Na época em que vivemos onde trabalhamos e produzimos cada vez mais, devemos também atentar para que talvez possamos trabalhar e produzir melhor se dermos o descanso necessário à essa ferramenta tão preciosa, o corpo humano

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Encontros saudáveis

A nossa vida é marcada por encontros e desencontros. Momentos e lembranças transformam nossos relacionamentos, com impressões que nos alimentam tanto quanto aquilo que comemos diariamente.
É fato que vivemos num período de distanciamento jamais visto e os motivos são listados aos montes para justificar nossas atitudes: a já famosa falta de tempo, o medo, as chamadas facilidades do mundo moderno e até a falta de grana.
Semanas atrás, cheguei em casa depois do trabalho e o dia ainda estava claro, minhas filhas, de 2 e 4 anos, sugeriram que fossemos a pé para a casa dos avós onde iríamos jantar, já havíamos feito esse percurso de quase 1km umas duas vezes. Adorei a idéia, trocamos então os dois minutos de carro ou três semáforos que nos separam da casa da vovozinha, por uma caminhada emocionante e percebemos quanta vida existe lá na rua.
Minhas filhas me acordavam a todo instante para cores e flores que à muito não faziam parte dos meus Outonos, pegavam gravetos e trocavam por pedrinhas e por outros gravetos maiores, sorriam e pulavam pelas calçadas com suas mochilinhas nas costas.
Parece incrível, mas fomos cumprimentados por todas as pessoas que cruzamos pelo caminho, em especial as que passeavam com seus cachorros, aliás no primeiro encontro canino, não era o dono quem levava o cão e sim um passeador profissional, que até tentou passar rapidinho, mas quando teve a atenção de alguém, mesmo que de 4 anos, diminuiu as passadas, sorriu e respondeu de boa vontade o nome do animal às minhas filhas que já estavam acariciando o Mike. Paramos também uma senhora, que nos contou que a Laika gostava tanto de criança, que outro dia havia dado as costas a ela para seguir com um garoto. Quando estávamos quase chegando ao nosso destino, uma menina de uns 20 anos corria com seu labrador e fones de ouvido, do outro lado da rua, não consegui evitar que minha filha gritasse "como ele chama" e no mesmo momento o Scotch e sua dona, já sem fones de ouvido, atravessaram a rua para que minhas filhas brincassem com o cachorro.
Depois de 50 minutos, terminamos nossa incrível jornada, com muitas histórias para contar, cheio de coisas que vimos e ouvimos, sentimos e fizemos, não podemos deixar que nos convençam de não falar com quem não conhecemos, devemos estar sempre abertos ao novo todos os dias, não se despeça de alguém a sua frente e diga um abraço, sem sequer se aproximar dele (www.freehugs.org), um brinde à todo e qualquer tipo de relacionamento saudável, tim tim saúde.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Castelo de areia

Muitos são os pensadores que afirmam que a morada da saúde é o presente, como uma dádiva mesmo, no passado somos angústia e no futuro somos pura ansiedade. O presente é o tempero entre o calor e o frio, a harmonia entre a luz e a escuridão.A melhor expressão de ser presente é sem dúvida a criança, nós adultos sofremos e buscamos várias orientações para encontrar este estado de espírito, estar, ou mais que isso, ser presente.Cada vez mais tenho observado na prática, inicialmente no consultório e agora também como pai, esta capacidade infantil, por mais que nós adultos tentemos endurecer a criança com horários, compromissos, atividades que mostrem responsabilidade ou organização, coisas que temos dificuldade em cumprir, a criança nos mostra com criatividade e alegria que o que importa é agora, no máximo hoje, criança pequena não consegue lidar com ontem ou amanhã.
Semana passada tive o privilégio de passar 7 dias juntinho da minha esposa e nossas duas filhas, a tão esperada e planejada semana de férias. Depois de mil planos, o destino escolhido foi a praia, e como se fosse mágica tudo aquilo que vínhamos arquitetando a tempos, desmoronou quando pisamos na areia, simplesmente nos deixamos conduzir pelas crianças.
Muitos castelos de areia foram erguidos e todos eles levados pelas ondas, eu pensava no melhor lugar, a areia ideal, numa base mais larga para dar estabilidade aos tais castelos... e minhas filhas já estavam esperando a espuminha das ondas, então eu entrava no mar, e elas queriam catar conchinhas pela areia, cada pedra, folha ou concha encontrada era sempre a mais bela, a maior, a da vez, a presente.
Toda vez que estamos preocupados, com a testa franzida, enrigecidos pela vida, procuramos relaxar, diminuir o ritmo, sorrir e voltar a ser criança em busca de saúde. Ora, por que então estamos amadurecendo nossas crianças cada vez mais cedo, queremos deixá-las mais rígidas ou doentes?