terça-feira, 30 de novembro de 2010

30 anos sem Cartola

Cartola que faleceu aos 72 anos, ainda é o antídoto a toda essa violência de hoje. A saúde pela arte.
http://www.youtube.com/watch?v=L8U1Y9PBfig&feature=player_embedded

sábado, 27 de novembro de 2010

Antroposofia pela Agência Estado

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25 de Novembro de 2010
Comportamento
Na medicina antroposófica não se trata a doença, mas sim o doente
São Paulo, 25 (AE) - Uma gastrite não tem tratamento fechado quando se trata da medicina antroposófica. "Se atendo duas pessoas, uma pode simplesmente ter comido algo que fez mal, mas na outra a doença pode estar relacionada a problemas emocionais. Em uma consulta tradicional elas seriam tratadas da mesma forma", exemplifica o clínico geral antroposófico Nilo Gardim. Para descobrir tantas particularidades sobre a doença de um paciente, o profissional usa um tempo ampliado de consulta: cerca de uma hora e meia, o suficiente para investigar, além de sinais clínicos, vivências emocionais e espirituais.
Foi em busca de um atendimento mais personalizado para os filhos que o advogado André Gabriel Hatoun Filho, de 39 anos, e a professora Beatriz Tamassia Minozzi, de 34 anos, chegaram à medicina antroposófica. O ponto de partida foi a adenoide do caçula Fábio, de 6 anos. "Queria algo interativo, que respeitasse mais o ser humano, sem a ideia de uma demanda cultural voltada somente para o mundo econômico", conta Hatoun, que também é pai da menina Naia, de 11 anos.
A linha antroposófica é conhecida no Brasil principalmente por causa da pedagogia Waldorf, seu braço escolar. Agora, também o aspecto médico ganha força no País. Neste ano, a coordenação Nacional de Práticas Integrativas do Ministério da Saúde está cadastrando os pesquisadores brasileiros que atuam com a medicina antroposófica, reconhecida como prática médica desde 1993. Além disso, a Universidade Federal de São Paulo já tem um departamento específico para tratar do assunto: o Núcleo de Medicina Antroposófica (Numa).
Segundo o médico Ricardo Ghelman, um dos coordenadores do Numa, a clínica antroposófica pode ser definida como uma medicina complementar e integrativa de origem humanista. "Trabalhamos o conceito de que o ser humano tem o corpo, a psique e a individualidade. Na medicina tradicional, a individualidade fica para trás", explica o especialista. "Uma forma integrada que una o humanismo e tecnologia é uma das metas dos profissionais brasileiros. Em países como a Alemanha há grandes hospitais antroposóficos, do tamanho de um Albert Einstein. Esse formato ainda é um sonho no Brasil, mas as pesquisas e o interesse têm aumentado".
Segundo Ghelman, há antroposóficos em quase todas as especialidades médicas: ginecologia, reumatologia, cardiologia, pneumologia, psiquiatria e oncologia são algumas delas. A Associação Brasileira de Medicina Antroposófica (ABMA), por exemplo, já expediu certificados para cerca de 300 médicos.
"Acreditamos que as doenças partem da nossa visão de mundo e de como está sendo concebida a organização do universo interno", avalia Elaine Marasca, presidente da ABMA. "A gente não trata a doença, mas sim o doente. A doença é entendida como um desvio da condição humana que pode estar em desarmonia", completa.
Medicamentos especiais - A proposta de uma compreensão do indivíduo de maneira ampla é sustentada por três áreas diferentes: a da individualidade (que consiste na terapia biográfica com a finalidade de promover autoconsciência); a da psique (tratada por psicólogos e também por arteterapeutas) e a área somática (na qual atuam especialistas de várias áreas, tais como nutrição, farmácia, enfermagem).
Os medicamentos são produzidos em farmácias antroposóficas e são obtidos na natureza, a partir de sustâncias minerais, vegetais ou animais. Antibióticos ou outras categorias de medicamentos sintéticos são usados apenas em situações emergenciais, quando o organismo do paciente não dispõe de forças ou de tempo suficiente para promover uma relação de equilíbrio.
O QUE É - Surgida na Europa, a medicina antroposófica foi formulada com base na imagem do homem trazida pela antroposofia (ou ciência espiritual) do filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925). Trata-se de uma linha de pensamento que tem como objetivo promover o autoconhecimento humano integrado com a natureza.
Outras áreas, como a pedagogia Waldorf, a agricultura biodinâmica, a pedagogia curativa e até a economia foram inspiradas pelo conceito formulado por Steiner. A palavra significa conhecimento (sofia) do homem (antropo). O desenvolvimento integral do homem é estimulado considerando sua alimentação, moradia e relacionamentos, além da formação intelectual e espiritual.
No campo da medicina, a linha antroposófica não se coloca como ciência alternativa - mas, sim, complementar. Para Steiner, o homem tem quatro corpos, que devem estar em harmonia: o físico, material, e outros três, invisíveis - o corpo vital, astral e o corpo espiritual.
BOM RESULTADO - A consultora Fátima Justo Cortella, de 57 anos, iniciou o tratamento de uma artrose, em 2004, pelos métodos tradicionais - e foi da medicina alopática para a homeopatia sem, porém, conseguir resolver seu problema.
Insatisfeita com os resultados, chegou ao tratamento antroposófico por indicação de uma amiga e foi em uma das consultas que descobriu que tinha câncer de mama. "Fui me tratando e me interessando pela proposta. Comecei a pesquisar sobre a filosofia. Vale como um tratamento contínuo. Você começa a aprender mais sobre você mesmo e não somente a tratar de uma doença", conta.
Com um tratamento composto por vários profissionais, como oncologistas e clínicos gerais, Fátima encontrou, no acompanhamento antroposófico, uma forma de não se entregar à doença e não interromper as atividades que fazia antes de descobrir o tumor. "Comecei a compreender a doença como um estágio da minha vida e aprendi que o câncer está relacionado ao emocional. Ou você muda e começa a melhorar o que está ruim ou seu físico vai continuar chorando".
Para o médico antroposófico Nilo Gardin, a contextualização da doença é fundamental para um diagnóstico eficiente. "Perguntamos como a pessoa está emocionalmente. Não deixamos somente para o psicólogo, porque algumas doenças são difíceis de tratar sem saber mais sobre o emocional", explica.
DIETA ANTROPOSÓFICA - A dieta antroposófica é baseada na linha ovolactovegetariana, isto é, considera que derivados de ovos, leite e vegetais são os alimentos necessários para a vida do ser humano. Os produtos podem ser consumidos crus, assados ou cozidos. Frituras são evitadas. É recomendado, também, que sejam ingeridos alimentos saudáveis e frescos, cultivados sob a luz do sol. '
As carnes não são proibidas, de acordo com a presidente da Associação Brasileira de Medicina Antroposófica (ABMA), Elaine Marasca. "Cada um escolhe o que considera melhor no estágio de desenvolvimento em que se encontra", explica. Batata, cogumelo e frituras não são aconselhados. Segundo Elaine, a avaliação da comida leva em conta seu princípio ativo e também seu processo de crescimento, sua relação com as outras espécies e a relação harmônica com o ecossistema.
Para pacientes com câncer, os cogumelos, por exemplo, são considerados prejudiciais, pois apresentam um crescimento desordenado e brusco, o que não favorece o tratamento das células cancerígenas, segundo o entendimento da antroposofia.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Isto É - Edição 2139 - Comportamento

O trabalho sob outro prisma
Baseada em conceitos como autoconhecimento, tempo e liberdade, há uma filosofia que ganha cada vez mais adeptos no mundo profissional, indo na contramão da pressa exigida pelo mercado.


Débora Rubin


A consultora Viviane Rocha: tese sobre
administração antroposófica,
e o arquiteto Michael Moesh.




A máxima dominante no mundo profissional de que o mercado é acelerado, intransigente e ultracompetitivo não encontra eco em um grupo cada vez mais crescente no Brasil: os profissionais antroposóficos. São professores, médicos, arquitetos, agricultores, administradores, entre outros, que compartilham a mesma visão de mundo. Para eles, a busca do autoconhecimento, a integração com o ambiente de trabalho e o entendimento sobre o outro, seja um colega, seja um cliente, são apenas alguns dos alicerces do dia a dia. Para esse grupo, não basta produzir, é preciso haver um sentido em tudo o que se faz. A antroposofia é um conceito criado pelo filósofo e educador austríaco Rudolf Steiner (1861-1925) no século passado, que engloba diversas áreas. É denominada uma ciência espiritualista, embora não seja religiosa. No Brasil, é conhecida especialmente por causa da pedagogia Waldorf – adotada por 53 escolas, que prega o “aprender fazendo” e trabalha o agir, o sentir e o pensar em todas as aulas – e também pela medicina antroposófica, que leva em consideração não só os sintomas físicos, mas os aspectos emocionais e espirituais do paciente.
A novidade é que cada vez mais profissionais de outras áreas têm adotado a antroposofia. É o caso da consultora comercial Viviane Rocha, que se apaixonou pelo tema após ir trabalhar na Weleda, empresa farmacêutica que segue essa linha. Em seu contato diário com os franqueados, ela faz questão de aplicar os conceitos plantados por Steiner. Ouvir o outro com atenção, entender sua dinâmica e buscar as soluções individuais. “Vamos um pouco na contramão do que acontece hoje no mercado corporativo, que não espera nada nem ninguém”, acredita Viviane. O resultado, diz ela, é mais preciso. Seu interesse pelo tema cresceu tanto que ela decidiu fazer mestrado em administração antroposófica. Outra tendência são as consultorias que usam os preceitos da filosofia para treinar líderes, coaching e projetos de desenvolvimento dentro de grandes empresas, caso do Instituto EcoSocial, que atende Sadia, Odebrecht e Itaú, entre outros.
Na arquitetura, o Brasil ainda dá os primeiros passos. Segundo o arquiteto Michael Emil Moesh, formado na Holanda, a chamada arquitetura orgânica ainda cheira a novidade como termo. Suas diretrizes, no entanto, são bem difundidas atualmente, como integração de ambientes, utilização de recursos naturais e sustentáveis e a consideração pelo modelo de vida do morador, pelas suas ideias e atividade profissional. “Hoje isso soa moderno, mas foi idealizado por Rudolf Steiner há quase um século”, diz Moesh. O próprio Steiner foi arquiteto. É dele o projeto do Goethenum, em Dornach, na Suíça, considerado o centro antroposófico do mundo e onde, na semana passada, foi dada a largada para as comemorações pelos 150 anos do nascimento do filósofo austríaco.
“Os valores dessa ciência estão espalhados hoje em todos os setores da sociedade. Muitas vezes uma pessoa vive de acordo com eles sem saber que é antroposofia”, diz o filósofo Carlos Maranhão, da Editora Antroposófica. Para ele, as pessoas estão um pouco cansadas das respostas puramente materialistas, que já não dão conta dos anseios modernos. Daí a busca por uma compreensão maior do lado espiritual. O advogado André Hatoun passou anos separando sua simpatia pela antroposofia da vida profissional. “Achava que o direito e uma ciência espiritual eram conflitantes”, explica. Até perceber que podia adotar uma postura mais condizente com seus ideais também no escritório. Hoje, ele tenta ir além do problema levado pelo cliente, busca entender seu modelo de vida, sua forma de pensar e seu lado espiritual. “Agora consigo ver minha profissão como uma missão.”


Da esq. para a dir: a agrônoma Andrea, a terapeuta Leila,o filósofo Carlos, a terapeuta Elizabeth e a médica Ana Paula